Resenha: As Utopias e Resistências de
Pedro Casaldáliga

Por Eduardo Mahon

DA TEORIA À PRÁTICA:

A comunhão de Casaldáliga com Edson Flávio

Em geral, os livros acadêmicos estão repletos de academicismo. Trata-se de cacoete exibicionista dos estudiosos que fazem como pavões na época de acasalamento – abrem mil olhos teóricos na longa cauda bibliográfica. Para além do rancho universitário, ninguém tomará conhecimento. Os trabalhos acadêmicos têm limitadíssima circulação no próprio meio especializado. A maioria dos professores está ocupada demais para celebrar o coleguinha e, por isso, vivem um mundo abstrato de linguagem cifrada. A referência bibliográfica transforma-se numa mesura nesse habitat. 

Não é caso do livro de Edson Flávio. Talvez seja a primeira tese de doutorado sobre a obra de Pedro Casaldáliga. A turma pioneira do Programa de Pós-graduação da Unemat pariu essa tese, um trabalho que não se limita ao clichê de contextualizar Casaldáliga como um sem-terra de batina. Para a maioria da sociedade brasileira, latino-americana e internacional, o padre era um ativista social, mergulhado numa teologia da libertação que, na minha opinião, tem pouco de teológico e menos ainda de liberdade. Ninguém se engane. Casaldáliga nunca foi um "progressista", nem na prática, nem na lírica. Nele, os dogmas de uma fé caduca mantinham-se hígidos, gerando uma série de contradições que deveriam ser sublinhadas mais abertamente.

Edson Flávio não quis fazer da tese uma catequese desse naipe. Foi além. Estudou Casaldáliga por dentro, isto é, pelo vié